terça-feira, 22 de março de 2011

36. Dor - Alec, Renesmee, Jacob

36. Dor.
Alec.

Dor. Não havia outras palavras para discernir o que eu sentia.
Depois de ver Nessie naquele estado, meu mundo desabou. Ela não ia conseguir, por que ficava insistindo!
O pior era a família dela, parece que querem que ela morra, "Ela vai conseguir". Ninguém percebeu que não tem saída se algo der errado?
Mesmo o meu coração não batendo, ele ainda doía, como uma coisa morta pode doer?
Sai da casa dos Cullens com uma fúria incontrolável, mas com uma dor infinita. Por que tudo o que eu quero eu não posso ter? Primeiro eu queria a Nessie só para mim, mas tinha que dividi-la com o vira-lata fedorento, depois que ela se casou com ele e eu só podia ter ela como amigo e agora ela vai morrer.
Sai em disparada pela floresta, tentando apagar a cena que eu tinha visto, mas não adiantava, era impossível eu esquecer alguma coisa, ainda mais se estivesse a Nessie no meio. Teve uma parte que a floresta deixou de ser verde, mas sim cinzenta até eu parar a alguns centímetros de um penhasco. O mar estava agitado e chicoteava as rochas no fundo, algo ali me puxava como um imã, minha cabeça me mandava pular, mas meu coração dizia para eu voltar e aproveitar meus últimos dias com Renesmee Carlie Cullen Black, quase arranquei minha cabeça ao pronunciar seu último sobrenome.
Queria confiar no coração, mas além dele não estar nem vivo se eu voltasse só me decepcionaria mais do que agora, eu não ia voltar para vê-la definhando nas mãos daquelas coisas, tinha a sensação de que se eu pulasse poderia me sentir feliz e vivo outra vez, mas essa não era a realidade, com certeza mais tarde me lembraria de Nessie e voltaria a minha tristeza e como eu poderia me sentir vivo se já estou morto?
O vento bateu em mim e eu simplesmente me joguei, a sensação era maravilhosa, fechei os olhos e só depois de alguns segundos sentia água em minha pele. Abri meus olhos e conseguir ver aquela imensidão azul, era bom, a água fria com minha pele gelada dava uma sensação estranhamente boa.
Não sei ao certo quantas horas eu fiquei lá embaixo, eu não precisava respirar então para que sair? O mar começou a ficar preto e quando coloquei minha cabeça para fora o céu estava completamente escuro e todas as estrelas já estavam em seus lugares. Sai da água e caminhei sem pressa alguma pela floresta de volta a casa dos Cullens.
Ao chegar lá, não entrei para a porta da frente, mas sim pelos fundos, além de estar ensopado não gostaria de ver o vira-lata e nenhum cúmplice da morte da minha melhor amiga. No quintal só tinha Demetri, ele e a sua mania boba e ficar isolado.
— Oi.
E ai Alec? - Ele olhou para minha aparência e meu cabelo desgrenhado. - O que andou aprontando?
— Tentei me matar. - respondi calmo.
— E conseguiu? - ele me perguntou com um sorriso no rosto, eu o olhei meio zangado, mas depois sorri.
O lugar ficou em silêncio até ser quebrado por mais um grito de Nessie, esse era pior, com desespero e dor, muita dor. Tudo o que eu estava sentindo - um pingo de felicidade - tinha ido embora, eu acabava de voltar à realidade.
O que foi? - Demetri perguntou ao ver minha expressão.
— Estou tendo uma vida horrível. - Ele olhou para mim e pensou um pouco antes de falar.
Não se preocupe, amanhã será muito pior! - Eu queria dar um soco na cara dele, mas ele tinha razão, quanto mais tempo passava, mas aquelas coisas cresciam e mais matavam a única mulher que eu amei.
Entrei na casa que estava vazia, um silêncio terrível tomava o lugar tirando a respiração dolorosa de Nessie e seu coração fraco. Subi as escadas e quase perdi o foco no que eu vi. Todos estavam mesmo na sala, Nessie estava deitada na maca, sua barriga estava completamente roxa, era raro conseguir ver alguma cor normal nela. Suas olheiras estavam fundas, como se não dormisse há dias, ela não conseguia respirar direito e precisou da ajuda de um aparelho.
Ela olhou para mim e tentou sorrir, mas a lágrima que desceu em seu rosto não me convenceu. A fúria subiu em mim ao ver que Jacob não estava presente.
— Cadê aquele cachorro? - Perguntei com a voz trêmula de raiva. Se ele amasse mesmo ela, não ficaria se escondendo enquanto ela morria, mas ele não tinha culpa, ele queria isso, quando os filhos dele nascessem, Nessie morreria e ele partiria para outra com aquela porcaria de imprinting. Hoje eu o mataria, não daria apenas um soco ou uma ameaça, eu ia arrebentar ele. Ninguém havia respondido minha pergunta, com certeza não responderia sabendo das minhas intenções. Procurei pela casa inteira até conseguir sentir o fedor dele, vinha da floresta, maravilha! Aquele canalha estava se escondendo agora.
Quando cheguei ao mesmo lugar que ele, vi que seu nariz estava vermelho, com certeza chorando, que grande artista ele era. Ele estava sentado no chão e encostado em uma árvore.
— Olha cachorro, viu o que fez?
— Vi. - Ele respondeu sem emoção nenhuma.
— Olha, eu vou quebrar tanto a sua cara que Carlisle não vai saber nem por onde começar. - O ameacei.
—Tudo bem, Carlisle disse que as crianças vão nascer daqui a alguns dias e que ela só tem poucas chances para viver.
Meu mundo havia explodido, nada mais vazia sentido para mim, imaginar eu vivendo em um mundo sem Renesmee Cullen não existia, era impossível, inacreditável, não era real.
Como em apenas algumas semanas duas crianças já estavam prontas para nascer? Pensei em vários finais diferentes e cheguei ao meu com Nessie, se fosse um filho meu ela não ia ter dois dias de vida. A realidade caiu como um peso em meus ombros, o único peso no qual eu não conseguia erguer, não tinha saída, se as crianças a destruíssem por dentro ou se saísse dela aos dentes, não teria jeito, nenhum remédio no mundo poderia a fazer voltar, nenhum!
— Tão rápido. - sussurrei para mim mesmo, mas Jacob assentiu.
— Só não me mata até lá. - ele falou depois de um minuto.
— E por quê? Você nem fica mais com ela. - disse.
— É que eu não consigo. Me vem uma dor. - seus olhos negros estavam apagados.
— Tenta pular de um penhasco. Ajuda. - revirei os olhos.
— Que?
— Esquece. - revirei os olhos novamente.
Ficamos em silêncio. Cada um com nossos pensamentos em duas únicas coisas: Renesmee e os monstros que acabariam com a sua vida. 
— Acho melhor você passar algum tempo com ela. Renesmee sente sua falta e você só a magoa desse jeito. - surpreendi a nós dois com essas palavras.
— Pela primeira vez, você tem razão. - ele se levantou e limpou a bermuda que usava.
Não esperei para vê-lo ir até ela. Sai em disparada para um lugar que Edward me apresentou. A campina.
Lá eu poderia ficar sozinho com meus pensamentos e minhas dores.
Assim que entrei na campina resplandecente pelo sol minha pele começou a brilhar, como se tivesse milhares de cristais em mim. O sol quase não me passava calor, este era mínimo. Só uma pessoa me transmitia o calor. E, esta estava condenada a morte. Mas, o calor nunca chegou ao ápice que poderia ter chegado. Por culpa única de Jacob.
Sentei na relva imaculada e depois me deitei e fechei os olhos. Imagens de Renesmee passavam-se em minha mente. Seu sorriso maravilhoso e único, sua beleza deslumbrante, seu charme ao andar, seus olhos brilhantes e sempre sorridentes, seu rosto corado, seu corpo cheio de curvas...
E depois a imagem que abriu as feridas em meu coração: Nessie fraca e respirando com dificuldade, as olheiras profundas, os hematomas muito piores do que os de Bella (de acordo com Edward) e seu rosto com cor.
A única coisa que nunca mudava eram os olhos. Continuavam brilhantes, até mais, com a “glória” (somente para ela!) de ser mãe.
Abri os olhos de supetão. Não queria mais a ver assim. Nunca.
Desejei que o sol realmente pudesse queimar os vampiros, assim eu não teria que vê-la morrer.
Se o sol me queimasse...

Renesmee.

— Alguém pode, por favor, me levar para tomar um ar puro?! - perguntei irritada com todos que já estavam passando da cota de mimos. - Já consigo respirar sozinha
— Nessie... - começou mamãe.
— Nessie nada! Tô cansada de ficar aqui! - fiz um beicinho e revirei os olhos.
— Tudo bem Bella. Eu a levo. - falou Jane.
Mamãe franziu o cenho, mas não se opôs. Jane estava sendo ela mesma agora. O que significa que não era mais aquela sádica de antes.
Ela me ajudou a me levantar e me encaminhou para porta. Meus bebês estavam me deixando inchada e gorda a cada dia que se passava.
Ficamos em silêncio por alguns minutos. Jane me carregou no colo para ultrapassar o rio cristalino.
— Tem um lugar específico, onde queira ir? - ela me perguntou e eu já sabia o local.
— A campina. Adoro aquele lugar. - sorri me lembrando dos momentos em que minha mãe e meu pai me levaram para lá. O sol era mágico. A campina erra mágica.
Jane também sorriu e assentiu.
— Hum Jane, vocês ainda se alimentam de sangue humano? - perguntei quando seus olhos vermelhos cintilaram no sol.
— Sim, mas não matamos mais os humanos. Tomamos pequenas doses. Não sei como, mas agora conseguimos nos controlar e saciar nossa sede com o pouco que podemos.
— Tem um jeito ainda mais fácil. O meu jeito.
Jane riu e concordou.
— Pode ser, mas há pessoas que precisam de transplantes e não podemos tirar esse sangue delas.
Assenti impressionada com minha mais nova tia.
— Você está bem? - ela me perguntou após um minuto em silêncio.
Parei por alguns segundos antes de responder. A visão da campina me deixou estupefata. Não a visão, mas a pessoa que estava lá, com seus olhos carmesins em chamas olhando para mim.
— Ótima. Estou ótima.

Alec.

Não podia crer em meus olhos.
Renesmee estava aqui. Mas, como? Ela não deveria se cansar tanto.
Fiquei observando enquanto ela e Jane entravam na campina. A pele de Jane era feito cristal, que nem a minhas, mas a de Nessie tinha somente um singelo brilho. Nada que a obrigasse a se esconder em um dia de sol.
— O que faz aqui? - perguntei.
— Eu estava cansada de ficar em casa e pedi que me levassem para passear. Jane se candidatou. - ela sorriu para minha irmã.
— Enlouqueceu? - perguntei a Jane que tinha no rosto um sorriso.
— Não, não enlouqueci. Ela precisava sair Alec. Viu? Ela está bem melhor.
E eu reparei. O que havia acontecido? A pele de Nessie estava mais corada e as olheiras estavam menos acintosas. Ela conseguia respirar sozinha e seu rosto readquirira o brilho.
— Como? - indaguei.
— Eu disse pra você que era forte. Vou conseguir. - ela me deu seu sorriso.
E eu correspondi. Quem sabe não haveria uma chance para ela viver?
— Vou deixar vocês sozinhos. - falou minha irmã e eu apenas assenti.
Naquela hora Demetri chamou o nome de Jane e ela pediu licença e disparou de volta para casa, a primeira coisa que fiz foi abraçar Nessie.
— Não sabe o quanto eu te amo. - Disse a ela.
— Eu também amo você. - A voz dela saiu meio rouca, só depois que lembrei tela apertado forte demais.
— Desculpa. - Ela sorriu para mim, mas eu não conseguia evitar, só de pensar no corpo dela encostado com o meu eu não me controlava.
— E então, você voltou ao normal!
— É me sinto melhor, mas ainda dói. - Ela disse.
— Não acredito que você esta conseguindo!
— Você duvidou da minha força? - Ela sorriu para mim. - Posso ser humana, mas sou metade vamp...
Ela parou de falar e ficou olhando para mim espantada, e rapidamente levou as mãos ao ventre e começou respirar com mais necessidade.
— Nessie? - Minhas palavras eram um sussurro. Mas ela não me respondeu. - Nessie?
Depois de alguns segundos ela gritou e caiu de joelhos no chão, rapidamente a amparei.
O que houve?
Seu vestido branco estava manchado de sangue. Manchado não. Ensopado.
Ela teria o bebê agora! Meu Deus!
— Céus! O que eu faço! - gritei.
— Alec... Você... Precisa... - ela gritou.
— Tá, tá, certo. - não, não tava nada certo.
— Aimeudeus! - ela gritou de novo.
— O que eu faço Nessie?! - perguntei exasperado. Nunca havia visto tanto sangue assim e nunca, nunca havia feito um parto antes.
— Faça o parto!
Fiquei mais exasperado ainda. O que eu deveria fazer primeiro? Decidi arrancar o vestido branco - agora vermelho escuro - primeiro.
O cheiro doce de seu sangue enchia minhas narinas, era um desejo intenso. Mas, não importava. Eu tinha que mantê-la viva.
— Nessie... Já está coroando. - eu disse o óbvio. - Vou contar até três e depois quero que você empurre com toda a sua força, tá certo?
Ela assentiu e respirou fundo. Depois empurrou com toda sua força quando eu cheguei no três.
Deus! Seu sangue manchava toda a relva verde-clara! Era sangue que não acabava mais, e não iria acabar tão cedo, não enquanto ela estivesse viva.
— De novo! - gritei.
E ela empurrou com mais força, até que o monstrinho macho saiu. Ele estava banhado de sangue. De sangue dela! Percebi que ele usou os dentes no ventre dela. Se eu não estivesse tão preocupado em acabar logo com o parto, mataria esse garoto agora!
— Raphael. - sussurrei.
Mas não tinha tempo. Tinha mais um bebê para tirar e uma vida para salvar.
Entreguei o garoto a ela e Nessie sorriu.
Ela nem percebeu quando a primeira placenta saiu, encharcando a grama com mais sangue.
A mostrinha fêmea foi mais fácil de tirar. Renesmee conseguiu ser forte e logo estava com os dois filhos nos braços.
— Sophie. - sussurrei quando entreguei a garota para ela.
Respirei fundo pela primeira vez desde àquela hora. Mas, só tive um momento para o alívio, porque em seguida Renesmee sussurrou com a voz fraca:
— Alec... Socorro... Eu... Vou... - e apagou.
Fiquei mais desesperado. Tinha que carregar Nessie e os monstrinhos.
— Alec! - Jane gritou, assustando-me.
Novamente fiquei aliviado e peguei Nessie.
— Vocês dois - disse para Demetri e Jane - peguem os monstros e vamos até Carlisle.
Saiu em disparada, sem olhar novamente para a mancha de sangue.

Jane.

 Escutei um grito e simplesmente corri com Demetri no meu encalço.
Nós dois sabíamos de quem era o grito e sabíamos o que estava acontecendo.
Corremos a toda velocidade, nossos pés quase não tocavam o chão.
— Alec! - gritei quando cheguei e me deparei com a cena.
Havia muito sangue no chão. Nessie tinha desmaiado, mas já havia feito o parto.
Olhei para os bebês. Eram lindos.
— Vocês dois - Alec disse para Demetri e para mim - peguem os monstros e vamos até Carlisle.
Peguei o garoto e Demetri pegou a menina.
Logo estávamos correndo de novo em disparada com Alec na frente levando o corpo inerte de Renesmee.

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